Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Começo por pedir desculpa por nunca ter vindo escrever mais nada mas o meu computador não funcionava e eu com computadores =x

 

Boa noitee!!

 

 
                
 
                Vivi sempre na ignorância. Pelo menos até agora. Na minha escola conseguia acreditar num mundo perfeito. Aqui e com quem conhecia as coisas pareciam ficar mais confusas e difíceis de acreditar. Parecia que afinal o mundo não era assim tão perfeito, que nem todas as pessoas tinham a sorte de ter uma vida feliz como eu considero que tenho.
                Mesmo assim essas pessoas pareciam ser felizes. Não sei como isso podia ser assim mas era e eu admirava-os por isso.
***
                O sono ainda não abandonou o meu corpo. Tento manter-me em pé pois foi isso que o Bruno me disse para fazer. Não gosto muito dele mas é um adulto. Tem 19 anos!! E tenho que fazer o que ele manda. É meu meio-irmão, filho do primeiro casamento da minha mãe. Mas apesar de sermos só meios irmãos ele é super parecido comigo. Tem a minha cor de pele, o meu cabelo… Na verdade saímos muito à minha mãe. Ela é muito morena, cabelo preto comprido e no fim formam-se uns caracóis, olhos pretos . Eu acho a minha mãe linda. A rapariga mais linda que eu já vi na minha vida! E é a minha namorada! O meu pai tem a pele pálida e cabelo castanho claro. Não sei o que lhe fui buscar mas acho que foi a minha cor de olhos. Ele tem olhos cor de azeitona.
                — David, por favor, olha para mim. – falava num tom desesperado chegando mesmo a fazer-me tremer por dentro. Das poucas vezes que tinha estado com ele parecia estar sempre alegre. Mas agora os olhos pretos enchiam-se de lágrimas que tentava conter, a voz era fraca, as mãos tremiam, todo o corpo parecia procurar por um refugio.
                Olhei para ele com mais atenção. Não gostava disto, não gostava nada disto. Quero a minha mãe. E se a minha mãe não pode falar podia vir o meu pai! Mas o Bruno?! Passa-se algo, eu sei que se passa. Mas o que se pode passar para fazer o meu irmão estar aqui comigo?
                — Gostavas de vir para minha casa? – perguntava-o com ternura tentando incentivar um sim.
                Mas esse sim não ia acontecer assim tão facilmente! Eu sei que estava já há demasiado tempo em casa da minha vizinha. Mas eu gosto dela e a minha mãe ainda me vem buscar quando sair do hospital. Ia ter uma festa no Montijo. Mas a minha mãe não me leva a essas festas, acha que o barulho não faz bem a crianças. Mas eu já tenho sete anos! Mesmo assim ela ainda não me leva e diz que aquilo lá é apenas uma grande chatice, que não tem piada nenhuma. Então quando há estas festas a minha mãe deixa-me em casa da vizinha e vai… No dia seguinte acordei com a minha vizinha a empurrar-me o braço “ A tua mãe foi para o hospital. Um estupor foi contra o carro dela, agora quem é que te vem buscar?”. Pode não ter sido a forma mais simpática de mo dizer. E se calhar por isso não chorei… Se houvesse algo de mal com a minha mãe tentariam dize-lo de uma forma suave, mas assim queria dizer que não era nada de mais e que ia ficar tudo bem logo. Para ela é que as coisas não ficaram propriamente bem. Há mais de uma semana que estou em casa dela. Não me dá noticias da minha mãe e quando pergunto se posso ir para casa com o meu pai manda-me ir dormir mesmo que sejam 5 da tarde.
                Mas parece que alguém me veio buscar. Mas eu sou bem crescido! E sei que não vou.
                — Não quero! Eu fico à espera da minha mãe!
                O olhar dele prolongou-se nas minhas mãos fincadas na cama em que estava sentado. Depois passou a mão pelo meu cabelo.
                — És tão parecido comigo. Acho que te consigo tratar como meu filho.
                Bem ele é adulto. Tem dezanove anos. Mas não vai ser o meu pai. Eu sei que é demasiado cedo para ele. E eu tenho um pai.
                — Não preciso que me trates como teu filho. Eu tenho um pai. E tenho uma mãe.
                — Não sabemos ao certo o que aconteceu com o teu pai… E a tua mãe… A nossa mãe… bem… - as lágrimas começaram a escorrer-lhe pela face – ela não volta. Mais.
                O meu coração paralisou. O meu cérebro não trabalhava. Os meus pulmões não se moviam. Para mim eu estava longe, noutro lugar. Mas ao abrir os olhos vi o Bruno a agarrar-me e a afastar-me dele e ao mesmo tempo sem me largar. Vi as minhas pernas a moverem-se sem eu me aperceber. Batiam nas pernas dele com toda a força que tinha, mas sem o querer fazer. Os meus braços mexiam-se contra os dele. Conseguia ouvir a minha voz esganiçada a gritar.  Parecia não ter força para nada mas consegui parar de gritar, focar os meus olhos nos dele e lançar-lhe o olhar mais duro que conhecia.
                — Tu tens ciúmes de mim! Porque a minha mãe é minha e não tua! Ela escolheu ficar comigo e não contigo! Comigo! Ela não gostava de ti, só de mim! Dizem-te que ela não vai voltar, só não vai voltar para ti! Para mim ela vai sempre voltar! – a minha voz começava a voltar a ficar esganiçada, por isso parei, respirei muito lentamente e olhei para o chão. Regressei ao olhar do meu meio-irmão a olhar para mim com os olhos negros inundados de lágrimas – Eu – comecei calmamente mas com um tom de voz forte como via às vezes os adultos fazerem – odeio-te.
***
                À medida que ia conhecendo a vida das pessoas que agora começavam também a fazer parte da minha vida, percebia a sorte que tinha em ser quem era, em ter a vida que tinha.
                Com todos eles aprendi a ver a felicidade nas pequenas coisas. Não na concretização de grandes sonhos, não nas coisas grandiosas e complicadas. Aprendi a ver a felicidade todos os dias, em todos os lugares. Um sorriso. Um simples “Olá!”. Um sol lindo. Uma chuva deliciosa a bater-me na pele. As ondas a rebentarem na praia e a salpicarem-me a cara.
                Por isso, mesmo nos piores momentos aprendi a perceber que sou feliz. Basta procurar algo à minha volta. Não é impossível alcançar a felicidade, é só saberes o que procuras.
 


publicado por Sandy às 21:26 | link do post | comentar

1 comentário:
De S a 6 de Agosto de 2009 às 19:13
gostei...


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