Quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

 

Boa noite (:
                Estava a pensar em escrever algo animado hoje, tenho andado demasiado deprimente por aqui… Mas dei de caras com o meu último post o que me deixou a pensar. A pensar um bocadinho no passado…
                Sabem quando vos dá muitas saudades de algo, mas que mesmo que se tivessem a oportunidade de voltar a ter tudo isso de volta, recusavam? Eu estou assim. Com saudades. Mas gostei do rumo que a minha vida tomou. Mas isso não impede que tenha saudades. Saudades daqueles tempos. Não só dele mas de tudo aquilo que me rodeava na altura. E talvez porque hoje ao dizer isto à Inês ela tenha percebido mal.
Inês: Esse estúpido que vá mas é morrer bem longe! Ele não te merecia! Um chantagista! Como podes ter saudades dele?! Um egoísta! Egocêntrico (…)
                E continuou por ali adiante.  Ele pode ter feito coisas erradas, mas eu também fiz e muitas. E se calhar foi tudo aquilo que fiz que o tornou assim. Mas ele também me trouxe muita coisa boa, foi o rapaz que amei. E eu sei que esse rapaz que amei existia, não era uma ilusão de rapariga sonhadora.
                Hoje este post não serve para muito. Sinceramente acho que nem para ler serve, mas as saudades estão a dar-me vontade de reviver muita coisa, de voltar a recordar partes da minha vida… Então peguei num livrinho (quase diário) que escrevia. Não era bem um diário, mas quando alguém me dizia algo que eu gostava ou que me magoava, quando queria escrever sobre uma ocasião era lá. Chamei-lhe Memórias porque eram as minhas memórias que figuravam ali. Desde perguntas estúpidas aos momentos mais belos da minha vida, escrevi tudo. Agora sinto aquele livro como um amigo, um amigo que me traz todo o meu passado para reviver. Para reviver aquela altura da minha vida…
                E há certas partes que me fazem rir, outras chorar, pensar, sonhar… Nunca pensei que aquele caderninho me fosse tão útil. Já me disseram para o deitar fora, que me está a deixar presa ao passado. Mas não é ele que me deixa presa ao passado, todos nós estamos presos ao passado de alguma forma. Não é a decisão de seguir em frente que nos liberta daquilo que vivemos, dos nossos actos. Continuamos sempre presos… Apenas decidimos deixar de viver em função do passado. E eu já deixei há muito tempo de viver em função do passado. Mas este continua a ser o meu passado, as pessoas que nele figuraram continuam a ser as pessoas que habitaram o meu coração.
 
                E não há tempo nem espaço que apague isso.
 
                Por isso escrevo este texto tolo, sem qualquer sentido. Este texto que me faz desejar ter algumas partes do passado. As partes em que chorei de alegria, em que gritei de histeria, em que corri ao encontro da felicidade. Mas não me esqueço que o passado também me iria trazer as partes em que chorei por ter uma dor real que parecia que me espetava abaixo do peito. Em que gritei de pânico tentando fazer com que esse grito parasse o tempo e eu pudesse mudar tudo. Quando corri para fugir, fugir de quem me rodeava, das palavras que ouvia. Por tudo isto sei que se agora me dessem tudo isto de volta, iria recusar.
                Aprendi durante um ano a viver a minha vida, aprendi que quando queremos chorar a melhor arma é sorrir.
                Fiquei a saber as minhas prioridades, saber o que vem em primeiro lugar. Aprendi a dar mais valor aos meus amigos. A admirar quem me rodeava. A querer ajudar quem amo. Aprendi que não amamos apenas uma vez, nem amamos uma só pessoa de cada vez. Percebi que quando achava que não iria conseguir amar nem ser amada, alguém aparece e mostra que estou enganada. Percebi que nunca deixamos realmente de amar alguém, apenas compreendemos que temos de seguir em frente, que vamos amar outras pessoas de formas diferentes, mas que quando amamos de verdade alguém, nunca deixamos de amar por muito que esse amor seja uma sentença de morte.
                Percebi talvez demasiado tarde, que quis dar tudo por alguém, enquanto que aos outros nada dava, com o argumento que esse alguém era quem amava. Mas agora sei que é mentira. Que amo tanta gente, que quanto mais quero amar parece que mais forças tenho para o fazer. Entendi que amo aquele rapaz que quase me destruiu, mas que amo também os dois amigos que abandonaram a minha vida este ano que passou e sei que sabiam que eu os amava, mesmo que não o desmontasse. Que amo a minha família com todas as forças, que não existe ninguém no mundo a quem eu deva mais que a eles. Que amo todos os meus amigos, que faria das tripas coração só para o seu bem. Que amo aquelas pessoas que nada me são, sem qualquer motivo aparente para amar, mas que amo à minha maneira, mesmo que nem imaginem, mas que desejo mais do que as minhas forças permitem que sejam felizes. E durante este ano também aprendi que para amar qualquer uma destas pessoas que acabei de dizer, desde a família a puros desconhecidos, desde os bebés até pessoas que já viveram cinco vezes mais do que eu, desde gente que levei anos para perceber que os amava até gente que amei desde o primeiro olhar – não o amor à primeira vista, porque nesse eu não acredito, mas o amor de sentir que não queremos que aquele olhar nos abandone nunca – precisava de aprender a amar-me. A gostar de mim tal como sou, a deixar de me ver como algo detestável. Porque esta sou eu! E se quero dar tanto aos outros, se os amo como digo amar quero dar o melhor. E esse melhor tem que vir de mim. Se não gostar de nada em mim, como posso dar-lhes tudo aquilo que quero dar? Como posso ser aquilo que precisam, se nem encontro em mim aquilo que preciso? Então aprendi a olhar para mim, e não apenas a apontar o que está mal, mas a ver o que está bem e a tentar descobrir como alterar o que está errado.
                E digo tudo isto, porque foi este ano que mudou muito em mim. Posso até ter mudado para pior, mas mudei. E sinto-me bem como sou, alguém que quer aprender todos os dias a ser alguém melhor, alguém que não quer cair na ignorância e não sair dali, ficar como que paralisada no tempo, como já fiquei. Sou alguém que mesmo que tenha todos os defeitos do mundo, estou disposta a mudá-los.
                E devo tudo isto ao rapaz que a Inês chama de egoísta. Porque se ele não tivesse aparecido na minha vida, eu nunca teria aprendido tudo isto. Porque se ele não me tivesse magoado como magoou eu nunca iria entender que o meu sofrimento é uma formiguinha, que há pessoas que eu preciso de ajudar primeiro. Porque se sofro, essas pessoas sofrem bem mais. E só poderei ficar bem se vir quem amo bem também, por isso compreendi que a melhor forma de me ajudar é ajudar primeiro os outros.
                Ao perder quem perdi consegui abrir os olhos para os meus erros, consegui finalmente ver tudo aquilo que fiz de errado e a quem nunca disse que amava, mas que já era demasiado tarde. Percebi que se não fizer hoje e agora, daqui a bocado pode ser demasiado tarde. Nem que seja só para dizer “Obrigado”.
                Por isso, foi bom.
                Faz hoje um ano que comecei a tomar consciência que tinha de seguir em frente. Não faz hoje um ano que deixei de viver em função do passado, isso só veio a acontecer muitos meses depois. Mas há um ano atrás, neste dia soube que as esperanças que ainda tinha não podiam passar de esperanças. Não aconteceu nada de especial neste dia, apenas cheguei à cama, liguei o ipod em modo aleatório e quando chegou à música de Ivete Sangalo “Se eu não te amasse tanto assim” eu comecei a chorar. Foi a primeira vez que chorei desde que disse o que disse. Nem reparei que música tocava mas não conseguia parar de chorar. Percebi que o que tinha feito teve consequências que nada nem ninguém poderia mudar. Mesmo que ficasse tudo bem, o que tinha sido dito e descoberto continuaria sempre dentro da minha cabeça. Foi neste dia que entendi que tinha tomado uma decisão. E que isso me assustava mais do que qualquer outra coisa. Que a decisão que tomei levou a outras decisões, que se tornaram numa bola, cada vez aumentando mais. Foi no dia 7 de Outubro de 2008 que eu comecei a entender que pela primeira vez tinha tomado uma decisão que iria alterar toda a minha vida, em apenas um ano. Naquela noite não sabia disto, mas sentia. Senti como um flash que aquela frase alteraria tudo de forma permanente.
                E durante todo este tempo pensei que cometi um erro. Que se voltasse atrás no tempo, não tivesse marcado aquele encontro, tudo poderia ter sido melhor. Mas agora sei que não. Que fiz a escolha certa, na altura certa. E saber que tomei esta decisão acertada deixa-me feliz. Que apesar de tudo, agora percebo que fiz o que estava certo. Que não valeria a pena mudar nada no meu passado, pois não teria aprendido o que aprendi. Que não seria quem sou, nem teria conhecido quem conheci.
 
Df: Espera!
Sandy: Cala-te. E ouve bem o que vou dizer. Não quero saber se te vais matar ou não. Não quero saber da luz da tua vida ou seja o que for. Se a tua mãe me ligar eu não vou atender. Nunca mais toques em ninguém que eu conheça! Desaparece! Desaparece da minha vida, para sempre.
 
“Memórias” 7 de Setembro de 2008
 
                Peço desculpa por este post, mas havia coisas que precisava de dizer. Mesmo que ninguém leia, eu disse.
 
 
Beijinhos*
 
 

música Se eu não te amasse tanto assim - ivete Sangalo

publicado por Sandy às 22:20 | link do post | comentar

5 comentários:
De S a 9 de Outubro de 2009 às 12:41
Eu acredito que todo o bom e mau que nos acontece tem um motivo para acontecer, para nos ensinar, não sofremos em vão, aprendemos com o mau que nos acontece, vemos coisas como já não viamos antes, crescemos até, imensas pessoas nos farão sofrer, um namorado, um familiar, um amigo ou até mesmo um desconhecido, temos que ser fortes e tirar uma lição disso.

bjos*


De Sandy a 15 de Outubro de 2009 às 19:03
E acho que finalmente aprendi a pensar como tu (:

Beijinhos e Obrigada


De S a 16 de Outubro de 2009 às 01:19
Ainda bem =)
bjinhos.


De vidademonica a 13 de Outubro de 2009 às 22:05
Estas sempre a surpreender-me! Tens uma força incrivel e sabes aprender com a vida - há pessoas que vivem 200 anos (nao que haja registo que alguem tenha vivido 200 anos, mas tu percebeste) e nunca aprendei isso, sofrei por sofrer, sem sentido, sao umas parvas. Só a vida nos vai ensinar e ela é como aquela professora de historia que era um bocado bruta, mas ensinava bem, sem sofrer um bocado ninguem percebia nada. Mas agora basta, chegou o momento de sorrires e deixares o passado no passado. Sê feliz, foi para isso que sofreste.
Sem sofrimento ninguem conhece a felicidade


De Sandy a 15 de Outubro de 2009 às 19:53
Acho que começo a percebê-la :) e como dizes a felicidade esta nas pequenas coisas.
Mas eu tinha medo das aulas de historia! lol

Obrigada (: e beijinhos*


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