Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

 

         Às vezes acredito que ele vive num mundo à parte. Um mundo só dele, mas onde todos nós gostaríamos de habitar.
         Um mundo perfeito, longe de qualquer mal. Um mundo onde a mentira, a chantagem, a tristeza e a dor parecem não ter lugar. O mundo irreal que se torna tão meu quando o vejo. Ele abre-me as portas para esse seu mundo, sem receio, sem egoísmo. Para ele, dar o que tem é tão normal como respirar.
         Sentados, ao lado um do outro, a descansar das peripécias que a vida nos pregou.  A relva verde estende-se eternamente à nossa frente. O sol começa agora a beijar a Terra. Em breve o dia morrerá e a sua morte irá dar origem a um novo dia, a escuridão nos alcançará, mas por enquanto estamos na doçura e no conforto daquela luz ténue que nos acaricia as marcas da vida, tão delineadas na nossa pele. Afinal vamos acabar por ter de enfrentar aquele crepúsculo, que nos vai roubar a luz de agora, para a fazer nascer noutro lugar, noutro tempo, num futuro diferente. O nosso pôr – do – sol começa a alcançar-nos mas nem eu nem ele temos medo. É apenas mais um dia que acaba, para dar lugar à noite. Ambos sabemos que o sol voltará no dia seguinte, radioso. E que seja como for, estaremos juntos mesmo assim.
         Sinto a sua mão acariciar a minha e olho-o. Já não somos os mesmos jovens de antigamente, cheios de vida e força de vontade. As horas foram-nos tirando a jovialidade. Ele ao perceber o meu olhar, olha-me directamente e sorri.
         Vejo aquele sorriso, só seu. O sorriso de criança feliz e inocente, simples e ao mesmo tempo, tão único. O sorriso nunca mudou, continua a ser um menino que vive ali, naquele sorriso. Depressa percebo que me enganei. Sim, ele continua a ser o mesmo rapazinho que conheci, o tempo não passou por ele. Olha-me docemente, como sempre o fez e volto a sentir-me a menina da minha adolescência. Olha-me como sempre me olhou. Um olhar de paz, de segurança. Sempre que me olhava sentia que nada no mundo me poderia afectar, que estava segura graças àquele olhar.
         E aquele momento trouxe-me o calor das memórias, que nunca esqueci e que por muito que passe, nunca irei esquecer. Aquele menino que está à minha frente foi o meu anjo. Foi a pessoa que apareceu numa das alturas mais difíceis da minha vida, que me deu vontade de viver. Foi graças a ele que aprendi que o meu coração ainda podia ter sentimentos, que ainda podia amar. Foi por ele que voltei a acordar feliz. Foi por ele que percebi que ainda havia razão para acreditar. Foi o seu sorriso que me deu esperança. Foi o seu olhar que me deu segurança. Foram as suas palavras que me deram força.
         Esteve sempre comigo, quando precisava. Eu disse coisas que não queria, falei o que não devia. Mesmo assim ele mantinha o seu sorriso e o seu apoio. Nada do que dissesse o deitava abaixo, apenas me ouvia e aconselhava. E eu admirava-o: a sua calma, o seu controlo. A forma como ele era capaz de dar tudo por alguém que nada lhe era, mas que mesmo assim ele ficou presente. Ele fez-me acreditar que existe salvação para este mundo, porque existem pessoas como ele. Pessoas dispostas a tudo pela felicidade. E aquela sua coragem dava-me um aperto no coração. Queria tanto ser como ele.
         Sem pedir permissão começou a invadir os meus pensamentos, os meus sonhos, os meus textos. Sem dar por isso, já não conseguia imaginar a minha vida sem ele. Parecia que tinha estado sempre ali, que o conhecia desde sempre. Que nem faria sentido respirar, comer, viver sem ele.
         O meu mundo tornou-se em parte ele. Deu cor ao que tinha passado a preto e branco. Deu luz às trevas que me turvavam a visão. Deu calor ao coração que outrora havia congelado. E nunca na minha vida consegui retribuir-lhe tudo o que me deu: desde a paciência ao seu coração. Nunca soube como conseguir alguma vez, fazer metade do que fez por mim.
         Devagar levanto o meu braço e passo-lhe a mão pelos seus poucos cabelos brancos. Passo os meus dedos pela sua face. Pergunto-me se quando era novo era assim tão lindo. Cada vez que o vejo, penso que a minha memória prega-me partidas, nunca é como eu me lembro. Está sempre cada vez mais lindo. Não consigo conter um sorriso ao lembrar-me dos seus risos, que mesmo quando eu não sabia de que se ria acabava também a rir só de o ver.
         Encosto-me devagar a ele e deixo-me ficar ali, a ouvir a sua respiração, a sentir o seu coração. Fico naquela cumplicidade a ver o pôr-do-sol. O nosso pôr-do-sol. Afinal a única certeza que temos quando nascemos é esta. Mas não tenho medo, pois estou encostada à minha luz, ao meu porto seguro, ao meu melhor amigo. Mesmo que tenha ficado separada dele a minha vida inteira, estou com ele neste momento. Olho o céu e vejo uma última faixa laranja a esborratar o céu. Agradeço-Lhe. Agradeço por o ter posto no meu caminho. Por me ter deixado conhecê-lo. Por me ter dado o maior tesouro que alguma vez tive. Por ter tido a sorte de conhecer uma das melhores pessoas que devem existir no mundo e por me ter deixado ser sua amiga. Por me ter deixado englobá-lo na minha vida.
         O sol desapareceu e o azul começa a tomar conta do céu. Vejo a lua a ganhar visibilidade ao longe. Digo baixinho “amo-te” e fecho os olhos.
 
         Este rapaz, é o meu melhor amigo. Chama-se Filipe Lima e faz hoje 23 anos. E é a pessoa mais importante do mundo para mim.
         Que sejas sempre assim. Gosto de ti tal como és, sem tirar nem pôr. És perfeito assim, seria quase impossível encontrar em ti um defeito. Mas talvez a auto-estima. Não sabes o valor que tens. E quero que saibas que por muitas voltas que a vida dê, por muitos quilómetros que nos separem, serás sempre o meu melhor amigo. E pensarei sempre em ti, todos os dias, como aquele rapaz – anjo caído do céu, que me ajudou quando mais precisei. E sempre que precisares de mim, diz.
         Adoro-te para sempre e depois disso.
 
Muitos muitos muitos muitos parabéns Filipeeeeeeeee!!! Felizes 23 anos e que tenhas um dia muito feliz, rodeado das pessoas que amas e que sejas sempre muito feliz.
 
Beijinhos da tua sempre amiga
 
Andreia
 

 



publicado por Sandy às 22:22 | link do post | comentar

6 comentários:
De Sarita a 26 de Setembro de 2009 às 09:38
Ohh *.* Querida está tão lindo!
Ja sabes, em abril quero um texto destes!

Beijão Audrey!


De aespumadosdias a 26 de Setembro de 2009 às 12:23
Só amigo?!...
:)
ps: Quanto aos guardanapos de papel, eu não os coloco para reciclar.
Bom fim de semana


De Tixa a 26 de Setembro de 2009 às 13:11
olá

desculpa esta ausência tão repentina mas têm acontecido coisas mesmo "marcantes"...

adorei este texto e vai para os meus favoritos :)

beijinhos grandes

P.s. obrigada pela força :)


De ♫ Chuva de Prata ♪ a 26 de Setembro de 2009 às 13:13
Oh... *-*
Este texto em conjunto com a música faz deste post um post lindo, mesmo lindo =')
Parabéns, embora atrasados, ao Filipe, esse amigo tão especial.
Beijinho* ^^,


De S a 27 de Setembro de 2009 às 01:02
parabéns a ele =)


De Marafadinha a 28 de Setembro de 2009 às 09:47
Bela dedicatória. Quem tem amigos assim... tem muita coisa boa.
;)

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